quarta-feira, 20 de janeiro de 2016



A amiga Maria Almira Medina deixou-nos,

mas vai manter-se entre nós enquanto nos lembrarmos dela

 
Em 2004 foi publicado na Revista "Sintra Regional", nº 3 - Julho/Agosto um artigo meu sobre esta amiga, esta figura relevante de Sintra e da nossa Cultura.








quarta-feira, 30 de dezembro de 2015


Amor à Primeira Vista entre Brava e Sintra

Recordação de uma Geminação de 20 anos

Por Jorge Trigo[1]

 

Em 5 de Maio de 1995, no Palácio Valenças, em Sintra, era assinado o acordo de geminação entre os municípios da Brava (Cabo Verde) e de Sintra. O protocolo assinado ficou a fazer parte, com destaque, da história das duas populações, através dos presidentes respetivamente Jorge Nogueira e Dra. Edite Estrela.

“A sensação de alegria era plena, quase tangível, e um sonho, há séculos acalentado, tomava corpo. O Fado premonitório do Sintrense solitário e melancólico que subjugado pela saudade demandava terras estranhas amargurado pelo exílio forçado, tentando encontrar na longínqua, isolada e remota ilha Brava, um pedacinho da sua Sintra adorada, era finalmente cumprido.” Estas palavras foram proferidas pelo vice-presidente da Câmara da Brava, Miguel Vieira, dois anos depois, no seu discurso na Festa da Língua Portuguesa, ocorrida em Sintra, de 29 de junho a 4 de julho de 1997. “Entre Brava e Sintra foi amor à primeira vista!”, assim considerou o autarca bravense.

Poucos meses depois de assinado o protocolo em Sintra, em 24 de junho de 1995, uma delegação do município sintrense, encabeçada pela presidente da Câmara, visitava a Brava. Essa geminação começou cedo a dar frutos. No Verão e Outono desse ano uma epidemia de cólera assolou a ilha e prontamente o município de Sintra enviou medicamentos e utensílios de saúde. Na área da Cultura e da Comunicação, a presidente Edite Estrela e os autarcas sintrenses ofereceram centenas de obras literárias que permitiram a criação de uma biblioteca na Vila de Nova Sintra, principal localidade da ilha. Também foi doada uma antena parabólica que permitiu aos bravenses a captação das emissões da RTP Internacional.

Tive o privilégio de assistir à assinatura do protocolo no Palácio Valenças e depois de fazer parte da delegação que se deslocou à Brava, como cabeça-de-lista do grupo parlamentar socialista da Assembleia Municipal de Sintra. Em 1997 fui, na qualidade de Presidente da Assembleia Municipal, um dos três membros da Mesa de Honra da Sessão de Abertura da Festa da Língua Portuguesa. Foi constituída pelo presidente da República, Dr. Jorge Sampaio, que presidiu, pela presidente da Câmara, Dra. Edite Estrela e por mim.  Esta iniciativa constituiu “um momento único, de encontro entre povos pertencentes à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e Timor-Leste”, graças ao empenho, ao entusiasmo e à determinação, sobretudo, da Dra. Edite Estrela.

E mais uma vez, como atrás referido, Cabo Verde e em especial Nova Sintra tiveram o destaque merecido.

A Brava é terra de Eugénio Tavares, figura maior da literatura caboverdeana, um nome grande da diáspora, o poeta eleito das mornas inesquecíveis e imortais, que continua a ser lembrado, homenageado, enaltecido pelo seu país e pelo mundo, com destaque para os Estados Unidos da América.

A Fundação Eugénio Tavares, sediada no concelho de Sintra, através do seu presidente, Eugénio Sena, que fez parte da delegação que em 1995 se deslocou à Brava, tem pugnado pela preservação do seu espólio, da sua memória, da sua cultura.

Agora que se desenvolve o processo com vista à candidatura da Morna a Património Imaterial da Humanidade, ainda mais Eugénio sobressai porque ele é o autor das mais lindas mornas que se escreveram e cantaram.

A geminação com a Brava já tem 20 anos. Como forma de comemorar, a Câmara Municipal de Sintra enviou em 2015 dois técnicos à ilha para colaborarem, entre 30 de abril e 3 de junho, num projeto que se desenvolve pela Câmara da Brava de calcetamento em “calçada à portuguesa” da Praça Eugénio Tavares. O apoio foi técnico e na formação de trabalhadores daquele Município, no âmbito do calcetamento artístico.

Importa reforçar essa ligação cada vez mais, veiculando, como refere a edilidade sintrense, “o crescente aprofundamento e consequente colaboração institucional, cuja missão primordial visa a satisfação das necessidades económicas, sociais e culturais das respetivas populações.”

Sintra e Brava – Um Amor à Primeira Vista!

 

 

 

 



[1] Ex-presidente da Assembleia Municipal e ex-deputado municipal, em Sintra.


sábado, 5 de junho de 2010

Os 50 anos de Carreira de Francisco Nicholson e a canção "Vento do Norte"




Em 1969 eu tinha 14 anos e frequentava o 1º. ano do Curso Geral do Comércio, na Escola Comercial Patrício Prazeres. Nesse ano Francisco Nicholson e o compositor António Braga dos Santos convidam Maria da Fé, que actuava na "Parreirinha", a concorrer ao Festival RTP da Canção. Foi a primeira fadista a participar neste Festival. Interpretou então a canção "Vento do Norte", com a orquestra dirigida pelo maestro José Mesquita. Não ganhou, sendo a vitória atribuída à canção "Desfolhada" interpretada pela Simone de Oliveira, mas "Vento do Norte" alcançou um grande sucesso de interpretação e um grande sucesso de vendas discográficas. Eu adorei esta canção e ficou-me logo no ouvido a letra e a música da canção. Era frequente eu andar a cantá-la.

Nessa altura na minha escola foi criado um jornal dos e para os alunos. Todos fomos convidados a participar. Foi então que resolvi escrever um poema intitulado "O Vento Norte". A letra da canção começava por "O VENTO DO NORTE, DO NORTE SOPRAVA" e foi publicado no jornal da escola o seguinte poema da minha autoria:

O VENTO NORTE


O vento soprava

E tudo levava

Em noite de temporal,

Com uma fúria banal!



Era o vento do Norte

Que soprava forte!

Mas, por fim, foi-se embora

Ao nascer da aurora!



E o sol voltou,

E a todos encantou!

Novo dia começava,

P’ra esquecer o que passava.



Jorge Manuel Cabrita Trigo

Jornal da Escola Comercial Patrício Prazeres

1969

Os versos que não teriam grande qualidade literária foram impressos e ilustrados por um desenho meu muito simples, de um jovem de 14 anos.
Era para mim impensável que um dia, 41 anos depois, eu estaria como apresentador na sessão de homenagem pelos 50 anos de carreira do autor da letra da canção "Vento do Norte".

Quanto à Maria da Fé tive a oportunidade de estar com ela há poucos anos, no excelente auditório do liceu Camões, na sessão de lançamento do livro sobre o grande homem do Atletismo e autor de fados e canções de grande êxito Mário Moniz Pereira.

Apetece-me dizer, como outro grande homem, o Fernando Pessa: - E esta? eih?

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Na FexpoMalveira 2008 - 2




Logo à entrada da FexpoMalveira esteve patente uma exposição, organizada pelo Clube de Entusiastas do Caminho de Ferro, intitulada “Histórias dos Comboios – Do Passado ao Futuro”. Foi constituída por fotografias, miniaturas de comboios, galhardetes, livros e vários objectos ligados à actividade ferroviária. Numa das vitrinas estiveram expostos o livro da minha autoria, intitulado “Sintra - Caminho de Ferro e Crescimento Urbano no Concelho, da Universitária Editora e a minha tese de mestrado sobre a Linha do Oeste.
Estive presente na inauguração do certame, com José Pinheiro e Valdemar Tomás, da direcção do Clube. Tive a oportunidade de conhecer o Engº. Ministro dos Santos, presidente da Câmara Municipal de Mafra. Cumprimentei-o e falei com ele um pouco. Estava acompanhado por dois vereadores, pelo presidente da Assembleia Municipal e por vários presidentes de Juntas de Freguesia.
Durante as festas da vila da Malveira foi inaugurado o Jardim de São Paulo, situado em frente da Casa da Cultura.
No sábado, pelas 16 h e 30, no auditório da Casa da Cultura da Malveira, proferi a minha conferência intitulada “A Linha do Oeste e a Malveira”. A abrir a sessão esteve Joaquim Ribas da Costa, presidente da Junta de Freguesia da Malveira que compôs a mesa, juntamente com José Pinheiro, presidente da direcção do Clube de Entusiastas do Caminho de Ferro.
O meu amigo Nunes Forte, um grande profissional da Rádio e da TV, fez reportagem e produziu um vídeo com um depoimento meu feito no palco do auditório. Pode ser visto e ouvido em: http://www.youtube.com/watch?v=gS_GH9dPaV0.
Foto da Casa da Cultura da Malveira,in http://www.cm-mafra.pt/fotos/fotog_000850_02.jpg

Na FexpoMalveira 3



Tive a oportunidade de visitar na Casa da Cultura o Museu Popular Beatriz Costa que testemunha o amor da actriz pelas gentes do Concelho de Mafra. É constituído por alguns objectos pessoais, recordações de viagens, colecções de bonecas e burrinhos, assim como por uma parte documental, fotografias, cartas e recortes de imprensa de e sobre esta grande actriz com quem falei no antigo Teatro Aberto, na noite em que assistimos à peça "Oiçam como eu respiro", numa grande representação da actriz Irene Cruz.
Durante a visita que fiz aos vários expositores da Feira vi a Cristina Ferreira, do programa Você na TV da TVI, parceira de programa do Manuel Luís Goucha. Recordo-me bem de quando lá fui, com o meu amigo Luciano Reis, para falarmos sobre os nossos livros referentes ao Parque Mayer. A Cristina estava junto ao seu expositor, referente às suas lojas de roupa chamadas Casiraghi Forever, de que é proprietária (uma situa-se na Malveira e a outra em Torres Vedras). Podemos apreciar a sua simpatia e a sua beleza habituais, bem como o seu belo sorriso.
Quando entrei na zona das boxes dos cavalos encontrei o actor Camilo de Oliveira e a sua esposa a actriz Paula Marcelo. Tive a oportunidade de dar um agradável aperto de mão ao grande actor e de saudar a bonita e simpática actriz. Penso que ali estavam, integrados num grupo de actores ligados à produção dos “Malucos do Riso” e que iam representar num espectáculo à noite, num palco montado na zona da feira.
Não pude sair da Malveira sem comprar para levar à família uma bonita embalagem das célebres “Trouxas”, inspiradas nas antigas lavadeiras saloias, deliciosas tortinhas de pão-de-ló.
Foto de Beatriz Costa, in
http://4.bp.blogspot.com/_vHfhEO08cCE/R_K_9UfKn9I/AAAAAAAAFv4/oyflUlKptHc/s400/BEATRIZ+COSTA.bmp
Foto das Trouxas da Malveira, in http://farm4.static.flickr.com/3245/2740366641_fc04ed94ed.jpg?v=0

Na FexpoMalveira 2008 - 1





Em 2008 estive presente na Fexpomalveira, que se realizou de 12 a 17 de Agosto, e comemorou nesse ano a sua XX Edição. Trata-se da modernização e actualização da feira anual da Malveira. Foi subordinada ao tema “O Caminho – de – Ferro”. O Caminho-de-Ferro foi um pólo de desenvolvimento e dinamizador da região, trazendo inúmeros comerciantes e visitantes até à Malveira. A influência passada do comboio é sentida ainda hoje nas memórias da gente da Malveira. O Programa foi muito vasto e contou com as tradicionais largadas de touros, espectáculos (destaque para Rita Guerra e David Fonseca), conjuntos musicais, folclore, tarde infantil, demonstração de cães e falcões, passeios a cavalo e em BTT e uma noite de fados. De acordo com as informações colhidas posteriormente, terá contado com a presença de mais de 45.000 pessoas, entre participantes e visitantes. Idêntico número já tinha ocorrido em anos anteriores.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Jorge Trigo recitou o Mar Eterno - Exaltação da Língua Portuguesa que Eugénio Tavares eternizou


O Senhor Primeiro Ministro de Cabo Verde José Maria das Neves de visita a Sintra recebeu no Centro Cultural Olga do Cadaval as Associações Caboverdianas de Portugal numa manhã de trabalho que se prolongou entre as nove horas e o meio dia. Organização da Embaixada de Cabo Verde em Portugal visando a reintegração. Pelo meio dia o Primeiro Ministro e cerca de cinquenta Associações foram recebidos nos Paços do Concelho pelo Presidente da Câmara Municipal de Sintra Prof. Fernando Seara em visita de cortesia.
O Primeiro Ministro, o Presidente da Câmara Municipal de Sintra e os Representantes das Associações dirigiram-se em cortejo automóvel pelos quatro kilómetros à Sede da Fundação Eugénio Tavares na Quinta Verde Sintra. Os visitantes foram recebidos pelos donos da casa, o Presidente da Fundação Eugénio Tavares, Eugénio Tavares de Sena sua mulher e filhos bem como duas dezenas de Bravenses residentes em Sintra.
No Recinto das Festas já no Pavilhão da Exposição os visitantes puderam rever em cinquenta painéis a Vida e Obra de Eugénio Tavares e Memorias da Geminação Sintra Nova Sintra passando pela História da Ilha Brava. No Recinto das Festas preparado para receber muita gente estiveram mais de uma centena de convidados e a Embaixada de Cabo Verde em Portugal mandou servir um almoço e foi momento de convívio e de descontracção.
O Presidente da Câmara de Sintra Prof. Fernando Seara deixava a Quinta Verde Sintra prometendo voltar para dinamizar a Geminação Sintra Nova Sintra e valorizar a Quinta como unidade hoteleira de Turismo Rural no seu Concelho. A sós o Embaixador de Cabo Verde Arnaldo de Andrade, a Embaixatriz Fernanda Fernandes culminavam a refeição lembrando os velhos tempos de militância para a Fundação Eugénio Tavares e outras Associações Caboverdianas. Entretanto José Maria das Neves e a comitiva visitavam os Jardins da Quinta Verde Sintra admirando tamareiras da Fajã DÁgua, roseiras do Jardim Eugénio Tavares na Brava, não faltando uma pitangueira, algumas goiabeiras e mangueiras trazidas da Ilha Brava e sobreviventes em Sintra.
Depois de uma vista de olhos pela unidade hoteleira da Quinta Verde Sintra, pioneira do Turismo Rural em todo o Concelho de Sintra e exemplar na área desse negócio, com os convidados o PM entrou na área da família residência dos descendentes de Eugénio Tavares. No terraço sobranceiro à piscina o PM adorou a vista sobre a Serra de Sintra e o Palácio da Pena. É tal qual estar na Vila Nova Sintra na Ilha Brava. Entretanto entrava na área da família e no Salão de Leitura e Refeições para ser surpreendido por um Bolo de Aniversário nos seus 49 anos.
Um grande bolo coberto de morangos vermelhos era oferta do Embaixador de Cabo Verde e da embaixatriz Fernanda Fernandes e do Pessoal da Embaixada de Cabo Verde. A família de Eugénio Tavares, muitos bravenses e caboverdianos encheram a sala de morabeza e rodearam o PM cantando os parabéns ao Menino Primeiro Ministro. E ele virou bebé por uns instantes…
Degostado o champanhe e saboreado o bolo seguiram-se momentos de grande elevação cultural…eram momentos do Maravilhoso Espírito Caboverdiano, da Força di Cretcheu e do Mar Eterno. Momento Força di Cretcheu - Uma senhorinha da Brava Ermelinda Cunha a Mili filha da Djedjezinha di Nho Dá e do Telmo, recitou a Força di Cretcheu que no fim os presentes cantaram a boa maneira da Brava. Momento crioulo poesia máxima da língua caboverdiana. Momento Mar Eterno a Canção ao Mar – Historiador Jorge Trigo da Câmara Municipal de Lisboa antigo Presidente da Assembleia de Sintra e um Grande amigo do Núcleo de Amigos da Fundação Eugénio Tavares recitou o Mar Eterno exaltação da Língua Portuguesa que Eugénio Tavares eternizou.O discurso do PM que depois de ser bebé ficou com 49 anos e usou da palavra para dizer que havia anos que não se sentia tão festejado no seu aniversario. Exaltou ET que nos seus anos de liceu não era ainda conhecido como o Camões de Cabo Verde. Prometeu reconhecer e apoiar a obra impar da Fundação Eugénio Tavares. Mostrou orgulho por estar na Quinta Verde Sintra, unidade hoteleira de grande qualidade e autonomia económica e sede da Fundação que preserva um dos ramos da Cultura de Cabo Verde com suas tamareiras suas roseiras lembrando a Ilha Brava. Fixou o horizonte e comparou Sintra a Nova Sintra na Ilha Brava de Cabo Verde e disse que levava saudades… e que voltaria…um dia…
Acompanhado do Senhor Embaixador de Cabo Verde e da sua comitiva o PM despediu-se num abraço cheio de morabeza confortando o sobrinho neto de ET pela sua obra em prol da Fundação Eugénio Tavares e o seu lugar honroso de pioneiro do Turismo Rural em todo o Concelho de Sintra merecendo estar entre os empresários de Cabo Verde com grande sucesso por terras de Portugal.
Já ao fim da tarde o PM deslocou-se à Associação Caboverdiana de Sintra onde a festa foi rija no meio de gente da nossa terra que num bairro residencial é um outro exemplo da Caboverdianidade em Sintra. Rosa Moniz jornalista e presidente da ACS honra Cabo Verde numa obra de grande mérito e que sempre que podemos a honramos com a nossa presença e estímulo.
Sat, 04 Apr 2009
Texto com imagem retirados de http://www.bravanews.com/?c=123&a=1492
Nota: O título da notícia é do autor do presente blog, bem como o destaque em itálico da sua participação no evento ocorrido na Quinta Verde Sintra.